Arquitetura é música congelada.
-Arthur Schopenhauer-

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Percepção de Bichinho através do SketchUp

Uma nova etapa da nossa intervenção foi, por meio do programa de manipulação de formas e imagens em 3D - SketchUp -, retratar a nossa percepção visual e sensorial do lugar no qual faremos nosso trabalho lá em Bichinho.

Primeiro, meio confusa do que seria uma representação abstrata da nossa árvore, comecei fazendo uma representação concreta e bem definida do lugar, de acordo com o que eu lembrava dele. Mas como esta não se enquadrava na tarefa que os professores nos propuseram, serviu mais como um experimento e uma oportunidade para testar as ferramentas do programa.
Posteriormente, retomei o trabalho e só então tive algumas ideias de como representar uma árvore de forma abstrata (na verdade, as ideias foram surgindo à medida que eu manipulava as formas e tentava não me prender ao óbvio e concreto). Tentei representar a árvore de uma maneira não muito convencional, conectando-a à diversas casas que estão ao seu redor - essa era uma forma, até, de introduzir a proposta do meu grupo na atividade: que a nossa principal intenção é de que a árvore, e tudo aquilo que está ao seu redor, sirva como um meio de interligar os moradores de Bichinho. Essa, então, é mais ou menos a função das linhas que ligam a árvore às casinhas no segundo vídeo que postarei mais pra frente. Além disso, quis transmitir a sensação de isolamento que senti ao ficar perto da árvore, por isso a fiz cercada por um muro (rementendo este ao que se encontra no local real da intervenção). Enfim, não tem como explicar cada detalhe, até porque cada um pode ter uma interpretação de cada símbolo, mas em linhas gerais foi isso que eu quis passar pra quem for assistir o vídeo.
E, por último, porém tão importante quanto os dois primeiros, vem o terceiro vídeo, que é a representação feita pelo grupo todo do lugar onde faremos a intervenção. Este não tem como explicar; o trabalho já fala por si próprio.


 


 



domingo, 24 de abril de 2011

Inhotim

Simplesmente incrível. É o que eu diria sobre Inhotim: um parque (localizado em Brumadinho, há 50 km de Belo Horizonte) que, por abrigar galerias e obras de diversos artistas, além de ser maravilhoso, é igualmente rico culturalmente.
Em nossa ida até lá - que aconteceu no dia 14 de abril -, foi possível nosso contato com obras de diferentes estilos e de diferentes grandezas, cada qual causando um certo impacto em nós. É um lugar que, definitivamente, merece ser visitado e apreciado.
Apesar de muitas das obras serem extremamente interessantes e merecer a atenção de quem visita Inhotim, vou-me deter em uma das várias galerias que por lá se encontram: a galeria da artista plástica Adriana Varejão.
Primeiramente, para entender o contexto de suas obras que estão em exposição em Inhotim, é nessário saber quem é a Adriana e como funciona o seu trabalho. Para tanto, o vídeo a seguir, uma entrevista feita com a própria artista, ajudará a esclarecer tais pontos.

A artista fala sobre o começo despretensioso, como o mundo inspira alguns trabalhos em série e a publicação da sua obra no livro "Entre carnes e mares".

Panorâmica do lugar da intervenção, em Bichinho

sábado, 23 de abril de 2011

Intervenção em Bichinho

Como expliquei no último post, nós teremos que propor uma intervenção em algum lugar de Bichinho para que este tenha uma utilidade diferente da que possuí. O principal intuito desse projeto é proporcionar alguma melhoria do espaço à população.

A "nossa" árvore
A ideia principal do meu grupo foi a de fazer uma "árvore mensageira". A princípio, tínhamos a ideia, mas faltava encontrar uma árvore que atendesse nossas expectativas. Após muito andar pela vila e analisar todos os espaços com os quais nos deparavámos, encontramos uma árvore na região central, próxima à Igreja Matriz, que seria perfeita para o que pensamos. A vantagem dela é que, além de ser grande e vistosa, está localizada em uma área pública, o que possibilita o acesso de qualquer um à nossa intervenção. Pensamos em decorá-la e criar artifícios que sirvam de suporte para que os moradores deixem recados uns para os outros, seja por diversão ou por necessidade. Com isso, estaríamos disponibilizando para eles um novo recurso e uma nova abordagem da comunição interpessoal, algo que eles fazem de forma tão banal e corriqueira.

Como foi mencionado anteriormente, a intenção é que as pessoas deixem recados para quem quiserem e sejam correspondidas. Isso, ao nosso ver, faria com que elas tivessem o prazer de se comunicar, ou seja, que esta não fosse apenas mais uma necessidade que o ser humano possui, mas que fosse, também, uma forma de diversão e de lazer para quem vive em Bichinho.

Bichinho e a nossa performance

Bichinho é um vilarejo próximo à Tiradentes (7 km), com não mais que 800 habitantes. Gente simples e hospitaleira, belo artesanato, casas feitas com tijolo de adobe (material que mistura terra crua, água e palha) e uma paisagem estonteante: é assim que eu descreveria, em poucas palavras, o que é Bichinho.
Com o intuito de conhecer a vila e analisá-la para o nosso próximo projeto (que falarei mais adiante do que se trata), tivemos a rica experiência de ficar quatro dias lá, tendo contato com seus moradores e a vida que levam naquele pequeno lugar.
E a surpresa foi grande:  não esperávamos que um lugar como aquele fosse nos acrescentar tanto - tanto como alunos quanto como pessoas. A humildade do povo é realmente cativante e sua generosidade fez com que nos sentíssemos em casa.
Por sua vez, o projeto do qual eu falara antes consiste em uma proposta de intervenção na cidade, algo que, com base nas informações coletadas, pensamos que possa melhorar a vida dos habitantes de Bichinho, ou, pelo menos, ser útil de alguma forma. O caminho não é fácil, mas já tivemos algumas ideias que, ao serem aprimoradas, podem realmente se tornar algo concreto. Mas falarei mais sobre toda essa questão no próximo post.

Casa de adobe
O intuito principal deste aqui é abordar o tema "performance". Antes de irmos para Bichinho, os professores disponibilizaram alguns links de vídeos como embasamento para a nossa próxima tarefa: nós mesmos teríamos que criar uma performance em Bichinho, passando, para quem a assistisse, a impressão que tivemos do local ao explorá-lo. A princípio, este lugar seria aquele no qual faríamos nossa intervenção, mas, no caso do meu grupo, escolhemos um lugar aleatório, onde poderíamos utilizar vários de seus recursos para montar nossa performance. No caso, esse lugar foi a varanda de uma casa/loja, onde havia uns 5 manequins de madeira expostos - além de utilizá-los como se fossem os próprios moradores locais, a varanda remete-nos à ideia do público/privado.
Antes de falar um pouco mais sobre a performance, vamos à sua definição:
  
Performance: "Forma de arte que combina elementos do teatro, das artes visuais e da música. Na performance, de modo geral, não há participação do público. sinalizando um certo espírito das novas orientações da arte: as tentativas de dirigir a criação artística às coisas do mundo, à natureza e à realidade urbana. Cada vez mais as obras articulam diferentes modalidades de arte - dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura etc. - desafiando as classificações habituais e colocando em questão a própria definição de arte. As relações entre arte e vida cotidiana, assim como o rompimento das barreiras entre arte e não-arte constituem preocupações centrais para a performance, o que permite flagrar sua filiação às experiências realizadas pelos surrealistas e sobretudo pelos dadaístas." 
Por Enciclopédia Itaú Cultural

Igreja Matriz N. S. da Penha de França
Depois de alguns workshops de como perceber e sentir os locais de forma variada, não só utilizando a visão, mas também os outros sentidos - tivemos a experiência de tatear um determinado lugar, de olhos vendados, e depois desenhá-lo da forma que pensávamos que fosse, além de termos tido outro workshop sobre a técnica do decalque -, tínhamos recursos suficientes para fazer a nossa performance. Porém, a parte mais difícil para todos foi a de ter que pensar em uma apresentação abstrata, que não tivesse um enredo, como o teatro, e que a princípio não tivesse um objetivo (ou, pelo menos, não um que ficasse evidente).
Croqui do lugar da performance
Para o grupo inteiro, isso soava como maluquice: qual é a finalidade de se fazer algo sem que tenha um sentido? Por que não podemos transmitir uma mensagem clara por meio da nossa apresentação? Até que ponto podemos ir sem que se a performance se torne um teatro, uma encenação ou até uma dança? (Lembrei-me até do filme/documentário chamado "Amélia", que vimos logo em um dos primeiros dias de aula, e que é justamente um espetáculo da dança. Mesmo não sendo uma encenação, tem uma mensagem a ser passada para quem o assiste, o que não o torna menos envolvente ou tocante). Apesar de todas as dúvidas, aceitamos a proposta e quebramos a cabeça para atender todos os pré-requisitos da performance. E, para dizer a verdade, foi uma experiência bem surpreendente.

Oficina de Agosto
Tentamos passar a nossa impressão de Bichinho, principalmente o nosso espanto ao constatar que os moradores não eram pessoas alienadas como ingenuamente pensávamos que fossem. 
Até as crianças já têm aparelhos celulares e em todas as casas há uma televisão. Além disso, há uma fachada, comum em cidades turísticas, que mostra aos visitantes apenas o lado bom do lugar, tais como o artesanato, as casas enfeitadas e a hospitalidade do povo. Porém, é atrás desta que se esconde a intimidade de cada habitante do vilarejo e como eles realmente são; somente depois de algum tempo é que podemos ver esse outro lado, que tão poucos conhecem de verdade.

No final, descobrimos que nem tudo tem ou precisa ter um sentido. Sentir é muito mais importante do que entender.

As fotos foram tiradas de sites variados na internet e os croquis são de minha autoria.

domingo, 27 de março de 2011

Parkour, Flaneur, Deriva e Flash Mob

Esses quatro termos, de uma forma ou de outra, se referem a tipos diferentes de percepção urbana. Entende-se por percepção urbana, neste caso, o que uma pessoa ou um grupo, através da observação e admiração, entende sobre os elementos urbanos dispostos ao seu redor e como tira proveito das impressões tidas durante esse processo, além de englobar também a sua interpretação do espaço. Para ficar mais claro, a seguir estão algumas definições para cada um dos quatro termos.

Parkour:
Parkour é uma disciplina física de origem francesa, em que o participante sobrepõe obstáculos de modo mais rápido e direto possível, utilizando-se de diversas técnicas como saltos, rolamentos e escaladas.
O Parkour é basicamente um método natural de treinar o corpo para se tornar capaz de se mover adiante com agilidade, fazendo uso dos obstáculos que estão a nossa volta o tempo todo.
Umas das filosofias da prática é que a mesma não necessita de nenhuma estrutura ou acessórios, seu corpo é sua única ferramenta. Por meio de movimentos eficientes seus praticantes podem ir de um lugar a outro utilizando somente os recursos que seu corpo pode oferecer.

 

Este vídeo é uma entrevista feita com David Belle, um dos fundadores do parkour moderno, onde ele deixa claro pontos importantes sobre esse esporte, conta sua história e define os principais objetivos de se praticar  o parkour. Além de ser uma excelente base para quem quer se aprofundar na prática, este vídeo traz também, para os leigos, uma noção geral do que se trata o esporte.

Fonte: http://aprendapk.blogspot.com/

Flaneur:
O termo flâneur  vem do francês e tem o significado básico de "andarilho", "ocioso", "vadio", que por sua vez vem do verbo francês flâner, que significa "para passear". Charles Baudelaire, ampliou e desenvolveu o conceito derivando-o para "uma pessoa que anda na cidade, a fim de experimentá-la ".

Flanêur
Para Baudelaire, o flâneur é o vagabundo errante, que sobrepõe o ócio ao “lazer”, é aquele que se contrapõe a vida como um modo de produção serial, a esquizofrenizante divisão do espaço moderno, desafiando a divisão do trabalho. Ele não existe sem a multidão, mas não se confunde com ela. Ele caminha no meio da multidão e o efeito narcotizante que esta exerce sobre flâneur, é o mesmo que a mercadoria exerce sobre a multidão. 

O flanêur é um amante das ruas que repara em detalhes que para outros cidadão passam despercebidos. Ele valoriza objetos, lugares, pessoas que o observador comum já não repara, por fazerem parte de uma rotina. É simplesmente uma pessoa que vê o mundo com olhos diferentes da maioria da população, a sua visão é com riqueza de detalhes, e detalhes nas coisas mais simples. 

Fonte: http://www.facebook.com/topic.php?uid=196949455128&topic=16682
              http://barbara-rt.blogspot.com/
              http://derivaurbana.blogspot.com/

Deriva:
A técnica ou o método experimental chamado de Deriva visa re-conhecer ou redescobrir a cidade desconstruindo as formas culturais tradicionais e impregnadas de pré-concepções, se utilizando de um caminhar sem direção ou rumo pré-definido.
“As grandes cidades são favoráveis à distração que chamamos de deriva. A deriva é uma técnica do andar sem rumo. Ela se mistura à influência do cenário. (...) Entre os diversos procedimentos situacionistas, a Deriva se apresenta como uma técnica de passagem rápida por ambiências variadas. O conceito de deriva está indissoluvelmente ligado ao reconhecimento de efeitos de natureza psicogeográfica e à afirmação de um comportamento lúdico-construtivo, o que o torna absolutamente oposto às tradicionais noções de viagem e de passeio” (DEBORD, 1958).

Conforme o descrito acima, podemos encontrar semelhanças latentes entre o flânerie e a Deriva, pois ambos se contrapõem ao modo de vida hegemônica do capitalismo, a transformação do tempo-livre em tempo-lazer mediado pela mercadoria, e valorizam a criação de novos jogos, novas situações (por isso o nome situacionistas), que priorizem a participação social. Tanto o vagabundo consciente encontrado por Walter Benjamin na obra de Baudelaire, quanto o vivenciador e criador de novas situações dos situacionistas se posicionam diante da modernidade de forma crítica. E tentam através de um novo olhar em relação a cidade, agir no mundo de forma lúdica e ativa e não contemplá-lo passivamente, e para isso se faz necessário criar novos jogos.

Fonte: http://derivaurbana.blogspot.com/

Flash Mob:
Atualmente pode-se entender flash mob como uma intervenção urbana que consiste em um numeroso grupo de pessoas que se reúne repentinamente em um local público, realiza um ato inusitado em conjunto combinado previamente e por um curto espaço de tempo, e depois rapidamente se dispersa.


I Gotta Feeling Live at Oprah's
No dia 10 de setembro, o grupo Black Eyed Peas quebrou o recorde de maior flash mob da história (I Gotta Feeling Live at Oprah’s), ao reunir cerca de 21 mil fãs na Avenida Michigan, em Chicago, nos EUA para comemorar a passagem da 24ª temporada do programa de Oprah Winfrey na TV. O grupo preparou uma surpresa para ela ao tocar o grande hit I Gotta Feeling com uma coreografia inacreditável envolvendo toda essa multidão.

Fonte: http://mobbrasil.wordpress.com/
              http://pt.wikipedia.org/wiki/Flash_mob

Museu de Arte e Casa do Baile, Pampulha

Museu de Arte da Pampulha
Com um pouco de atraso, hoje vim postar as fotos e alguns comentários sobre a nossa visita ao Museu de Arte e à Casa do Baile, localizados no Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Realizada no dia 21, última segunda-feira, todos nós alunos do 1º período -ou quase todos- fomos, juntamente com os professores, à Pampulha com o intuito de observar e analisar tais obras arquitetônicas e o espaço entorno.


Projetado por Oscar Niemeyer, na década de 50, para abrigar um cassino, o Museu de Arte da Pampulha é hoje um dos principais museus de Belo Horizonte. Várias exposições de arte se encontram ali, principalmente as de Arte Contemporânea, tendo como destaque as composições de Guignard -carioca famoso por retratar paisagens mineiras.
Casa do Baile, vista do Museu de Arte

A vista é simplesmente fantástica (é possível enxergar outras obras arquitetônicas que compõem o complexo -a Casa do Baile e o Iate Clube-, além de estarem todas dispostas à beira da Lagoa da Pampulha) e a sensação de paz é inevitável.
Fachada
 Embora a paisagem seja realmente espetacular, as obras de Niemeyer são tão surpreendentes quanto. Com uma mistura de curvas e retas, o retrato de uma surpreendente edificação vai moldando-se diante dos olhos dos mais atentos observadores. É nessa hora que constatamos a real possibilidade do homem trabalhar em conjunto com a natureza e se impor tão magnificamente como ela. Se acompanharmos toda a trajetória de vida e trabalho de Oscar Niemeyer, qualquer um há de convir que os seus projetos dessa época (anos 50) são inacreditavelmente geniais. E o Museu da Pampulha é um dos locais no qual podemos comprovar essa ideia: o contemporâneo fundindo-se com o clássico -nos encontros das curvas com as retas, nas junções dos pilares de pedra com os de metal, nos azulejos portugueses contrastando com as paredes clean- é uma marca do modernismo que se fixava no Brasil com um estilo próprio.